Por favor me acompanhe, e a porta é aberta uma vez naquele ano
E vejo, receosa, a luz que ninguém viu acender
E pergunto
Vai doer?
Me dizem que não, mas não me importo
Hoje tento acreditar
Tento acreditar
Não há tentativa.
Enquanto a luz acende penso no sangue
Se ao menos me dessem em frascos os restos de mim
Mas nem isso. Injeto-me meu suor
Para não suar ao ver
Se aproximar o que nunca esteve longe e
Não perto o suficiente
Se ao menos as ações fossem tão imediadas quanto a nostalgia
Seria então antropofágica, eu e todo o povo que se come dentro de mim
Injeto qualquer coisa que estiver por perto
As engrenagens destroem o exaltado e me exalto ao som de seu êxtase
Só há uma maneira de alcançá-lo
E já não enxergo de perto ou de longe
(...)
![]() |
| Jean Cocteau |
